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A mulher e a tecnologia


por Sônia Crisóstomo, Embaixadora Master

Na semana passada, participei do Primeiro Encontro Internacional e Mulheres Empreendedoras em Lisboa, organizado pelo Clube Mulheres de Negócios de Portugal, o CONECTE-SE 2022.


Entendemos que as famosas “dores” como hoje são chamados todo e qualquer desconforto na vida pessoal ou problema nas empresas, perpassam a grande maioria das mulheres de 50+, onde basicamente suas carreiras foram apontadas para áreas diversas que não a de tecnologia.




Mas se faz necessário entender a gênese dessa situação para que tenhamos, como educadores que somos, a responsabilidade de entender que a mulher é tão capaz quanto qualquer homem de desenvolver o raciocínio lógico e mergulhar com capacidade e competência, em uma carreira na área onde a linguagem não é emocional, mas binária.



Vida real & Barbies

Quando crianças, éramos presenteadas desde pequenas, com bonequinha e todos os artefatos possíveis de 50 tons de rosa. Barbies, sapatilhas, bicicletas, lacinhos de cabelo e tudo, absolutamente tudo, nos conduzia à carreira de princesa. Mas pera lá! Já não existiam príncipes e os castelos eram de areia. #vidareal

Por sua vez, os meninos recebiam vídeo games, jogavam bola e aprendiam o que era disputa, teamwork, ganhar e perder. E tudo isso era mais comum no universo “azul”.


Mulheres de TI

A socióloga Bárbara Castro que desenvolveu uma pesquisa sobre as mulheres na área de TI, sugere que a forma com que a sociedade pensa e define o que é ser mulher ou homem, impacta diretamente o desempenho de suas habilidades.

Sou um ser jurássico da tecnologia, vivendo esse momento de transição e tenho histórias para contar. Formei-me em Tecnologia da Informação nos anos 80 e, obviamente, minha turma era esmagadoramente formada por homens. E uma coisa que a mim chamava atenção à época, era o fato que de que, depois das provas eles vinham em grupos perguntar a nota que tiramos. Não entendia naquela época que era uma questão de concorrência e disputa.

Mas como eu geralmente ia bem, isso não chegava a incomodar. Voltando ao evento que comentei no início, é importante trazer um dado curioso: das mais de 70 mulheres participantes, apenas eu e mais uma outra éramos da área de TI. Isso significa que, naquele grupo a presença feminina na área foi de aproximadamente 2%.


Mercado exponencial

E como estamos falando de um grupo de mulheres empreendedoras, e com a compreensão de que empreender não significa somente abrir sua própria empresa, vamos aos dados:

A presença feminina no setor de Tecnologia, chega a aproximadamente 20% no Brasil e 25% nos Estados Unidos.

Pesquisa do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) sugere que a presença feminina no setor, nos últimos cinco anos, passou de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil. Vemos uma clara e positiva mudança de curva. Já os dados do IPEA, indicam a presença feminina no mercado de trabalho: será de 64,3%, até o ano de 2030.


Assim, assisto o mundo mudar pra melhor, com cada vez mais meninas brincando de videogame, usando bicicletas de qualquer cor, andando de patins, mesmo que seja vestida de fadinha e sentando nas cadeiras que querem sentar. Talvez com um pouco mais de esforço, talvez com um pouco mais de luta, mas, somos aquelas que dissemos que não queremos espartilhos a nos tirar o folego, que queremos usar calças porque é mais confortável, e que de cabelos cuidados, unhas feitas, academia e terapia em dia, coração em paz, somos TAMBÉM aquelas que codificam um mundo cada vez mais igual.


Eu vivi para ver isso!


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