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A Mulher-Rei

A dica hoje é um filmão que foi ignorado por quase todas as premiações da temporada: A Mulher-Rei (2022), dirigido por Gina Prince-Bythewood e co-escrito com Dana Stevens.




O filme é baseado em fatos reais, embora composto por personagens fictícios. A história se passa em 1823, no oeste do continente africano, no reino de Daomé (atual Benim) terra dos Dahoney. Governado pelo rei Guezô, um personagem da vida real interpretado aqui por John Bodega, que mantinha uma unidade de guerreiras mulheres, as Agojie. Guerreiras que foram, aliás, a inspiração para a criação de um outro exército feminino de sucesso, o de Wakanda (terra do Pantera Negra).


No filme, o exército se prepara para enfrentar os Oió, que fizeram aliança com traficantes de escravos europeus liderados pelo português Santo Ferreira (Hero Fiennes Tiffin), personagem inspirado no brasileiro Francisco Félix de Souza. Um retrato um tanto quanto caricato, mas infelizmente baseado na realidade. Guezô é retratado assim como um abolicionista, o que bate de frente com a História, já que o reino de Daomé enriqueceu justamente com o comércio de escravos entre 1670 e 1860.


Viola Davis – como sempre maravilhosa no papel – encarna a líder das Agojie, general Nanisca. Uma mulher forte, determinada, que carrega muitas cicatrizes e segredos do passado. Um papel que lhe rendeu várias indicações aos principais prêmios da temporada, ficando de fora, porém, da disputa pelo Oscar.


A trama vai seguir de perto o caminho de Nawi (Thuso Mbedu), uma jovem rebelde que se recusa a aceitar o casamento imposto por seu pai, batendo de frente com muitas regras daquela sociedade. O homem, cansado dos destemperos da filha, lhe oferece como presente ao rei, para que se torne uma Agojie. Vamos acompanhar então sua formação como guerreira e seus confrontos com a líder Nanisca, bem como sua bonita amizade com a veterana Izogie (Lasanha Rasheda Lynch). Uma grande lição de sororidade, liderança, determinismo, coragem e força, interpretada por um grupo de atrizes hiper talentosas, que tiveram que malhar muito e aprender a lutar, já que quase todas as cenas de batalhas foram rodadas sem ajuda de dublês. Impressionante!


A Mulher-Rei é uma aventura épica, cheia de adrenalina, que conta de forma clássica, uma parte da História que costumava ficar apagada dos livros didáticos, tratada , aqui, porém com uma grande "licença poética". Um revisionismo histórico equivocado, mas ainda assim uma super produção, à la Marvel, com elenco quase todo de atores negros, figurino de primeira e cenários belíssimos, apesar de pouco verosímeis.


Excelente para aprender se divertindo e ainda repensar nas atrocidades cometidas no passado e também nos êxitos das mulheres da História.


Disponível na AppleTV, Now (Brasil) e Netflix (EUA).


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