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Darlings


Darlings - “a violência contra a mulher é prejudicial à saúde”. Por Lilia Lustosa


A proposta hoje é sair da zona de conforto e encarar um filme indiano, com estética e atuações bem diferentes das que estamos acostumadas a ver, no entanto, sobre temas que, infelizmente, estamos cansadas de presenciar: violência doméstica, masculinidade tóxica, sociedades patriarcais desiguais e injustas. Tudo feito, porém, de maneira sensível e bem humorada, tornando o assunto mais leve para ser encarado de frente.


Darlings marca o début da indiana Jasmeet K. Reende na direção, assinando ela também o roteiro, junto com Parveez Sheikh. Além disso, o longa-metragem conta ainda com duas mulheres na produção, Alia Bhatt e Gauri Khan.

A história se passa em um bairro de classe média baixa de Mumbai e conta a história da jovem Badru (Alia Bhatt), casada com Hamza (Vijay Varma), um homem violento e alcóolatra, frustrado com seu trabalho de funcionário público. A jovem tem sua liberdade tolhida e apanha com frequência. Mas, como (quase) toda mulher que sofre violência doméstica, ela não consegue abandonar o agressor e insiste em acreditar que ele vai mudar.


Badru conta com o apoio (e crítica) de sua mãe Shamshu (uma excelente Shefali Shah), mulher forte que criou a filha sozinha, depois de ter sido abandonada pelo marido, pai da menina. As duas levam uma vida modesta e de muita luta, vivendo entre elas uma relação de amizade, vizinhança (moram uma de frente para outra), companheirismo e de uns tantos quantos desacordos. Apesar dos protestos da mãe contra genro, Badru acredita que a chegada de um filho possa mudar o comportamento do marido. Só que, como bem sabemos, não é bem assim que a coisa funciona…


Mas, atenção! Não estamos aqui diante de um dramalhão típico de Hollywood. Tampouco de um tradicional filme bollywoodiano, com suas músicas e danças super coreografadas. Mas sim, diante de uma espécie de fábula contada de forma divertida, satírica, beirando o paroxismo. Aliás, a fábula do sapo e do escorpião está na base da trama aqui desenvolvida. Quem é o sapo? Quem é o escorpião? Resta a nós, espectadores, decidir.

Não esperem, porém, uma super produção. Estamos aqui no universo do simples. Os cenários são pobres e bastante “poluídos”, já que tentam mostrar a realidade de uma classe média baixa na India. A fotografia é clássica e às vezes até bem artificial, quase caricata, como se pode observar nas cenas de traslados de moto ou entre outros meios de transporte. A trilha é, por sua vez, bem interessante (e diferente) e, por isso mesmo, vale a pena colar os olhos nas legendas para ler bem as letras irônicas das músicas, pois elas estão em total sintonia com a história apresentada.


Darlings é, assim, um filme sobre violência contra a mulher, sobre ser mulher na India (e no mundo) de hoje, sobre ter coragem de romper correntes, sobre (in)justiça, vingança, sororidade, maternidade e companheirismo.


Uma dramédia interessante que pode gerar boas risadas e também boas reflexões.

Um filme pra se distrair e pra pensar. Disponível na Netflix.



Lilia Lustosa é doutora em História do Cinema e Embaixadora Master do Clube Mulheres de Negócios, México, e assina a coluna de Cinema do Blog do Clube.


Escritora, lançou recentemente seu livro Umbigo. Para falar com a autora pode deixar mensagem aqui, nas redes sociais ou diretamente nos grupos do Clube.


Acompanhe aqui o melhor do cinema.






Instagram de cinema: @cine.doiselles

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