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Saúde Emocional e Dinheiro


“Assim que aceitarmos nossa humanidade, com todos os nossos pontos fortes e fracos, podemos começar a avaliar de maneira honesta nossas disfunções financeiras, e o pensamentos por trás delas, e ter progresso real e contínuo do crescimento e da transformação.”

(in A MENTE ACIMA DO DINHEIRO, Klontz&Klontz, pg 18, 2ª Ed).



Quando uma pessoa não tem uma relação equilibrada com o dinheiro, comumente se sente envergonhada, sem valor, indigna. Isso é cruel, pois a pessoa fica sem saída, seu raciocínio paralisa e, ao invés de buscar ajuda, a pessoa passa a disfarçar a situação – inclusive gastando mais! – o que só piora as coisas.


Cria-se, assim, um círculo vicioso, no qual intimamente a pessoa se condena cada vez mais, passa a se sabotar e a se desprezar dia após dia, mas mantém o esforço de “segurar as aparências” – até que um dia, inevitavelmente, “a casa cai”.


A única alternativa não é (não é!) pedir um empréstimo, mas sim buscar um caminho para entender a si mesmo (ou a si mesma). O primeiro passo é oferecer um olhar atento, respeitoso e carinhoso em relação à própria história – rever-se, olhar novamente, religare com a infância, a adolescência, as marcas familiares, o caldo ancestral em que fomos modelados e que é nosso ponto de partida.

Teríamos sido banhados numa certeza de abundância ou de escassez? De brigas ou de celebração? E o dinheiro no meio disso, era veículo de quê? E qual mensagem teria ficado em nós? Afinal, independente dos fatos, nossa mente interpreta a realidade o tempo todo...

Certa vez, uma mentoranda relatou sua primeira lembrança sobre dinheiro: uma grande briga entre os pais, pois a mãe havia pego dinheiro da carteira do marido. Quanta confusão nesta cena! Em sua cabeça de menina, nos seus três ou quatro anos de idade, a modelagem foi decisiva para seus resultados profissionais atuais: “Dinheiro? Melhor dar logo e nem falar sobre o assunto!” – claro que isto era uma certeza “inconsciente”, pois a fala consciente sempre foi que “queria muito ganhar dinheiro” – mas sempre que ganhava, doava, dava, emprestava – ao invés de administrar as finanças com mais maturidade. Ela fugia do dinheiro ao mesmo tempo em que corria atrás dele.


Talvez a nossa maior força seja aceitarmos nossa humanidade, nossas vulnerabilidades e humildemente olharmos nossa trajetória dando a devida importância às modelagens que recebemos, às meias verdades que adotamos como premissas, aos medos, anseios e certezas que decretamos (sem perceber) a respeito de nossas (im)possibilidades.

Em mais de 30 anos de consultório, acompanhei inúmeras histórias onde a “lógica financeira” era muito ilógica. Mas seria injusto dizer isso. Na verdade, seguia uma lógica subjetiva muito íntima e particular, à qual a pessoa não tinha acesso ou apenas considerava que era o como as coisas funcionavam, era a realidade – a “sua” realidade, impossível de transpor.

Nestes casos, quando se pensa que bastaria ganhar mais dinheiro e, enfim, as questões financeiras estariam resolvidas, preciso afirmar que não. Não basta ganhar dinheiro, ganhar na loteria, receber heranças – não, não basta chegar uma grande quantia para nós. Afinal, ou consertamos o vazamento, ou não há água que baste para encher uma caixa d´água – concordam?


Por isso passei a trabalhar com emoções e dinheiro. E pergunto: se suas finanças fossem para o divã, o que elas contariam sobre você?




Por Rita Aventurato

Rita Aventurato é Psicóloga, mora em São Paulo/Br. Atende há mais de 30 anos na área clínica e atua agora com mentorias, workshops e palestras vinculadas ao tema “emoções e dinheiro”. É Embaixadora Cidade do Clube Mulheres de Negócios de Portugal e membro do Comitê de Saúde Emocional do Clube - @emocoesedinheiro.

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